Dia Internacional dos Povos Indígenas: 5 conteúdos do J2 sobre o tema

Data instaurada pela ONU celebra a resistência, a vida e a luta das populações indígenas em todo o mundo; relembre vídeos, coberturas e reportagens a respeito da população indígena, realizadas pelo J2

Publicado em 09 de agosto de 2023

Mobilizações, celebrações e atividades marcam a passagem das populações indígenas pelo J2 (Foto: Joyce Rodrigues/Jornal Dois)
Por Joyce Rodrigues

Dia 9 de agosto é celebrado o Dia Internacional dos Povos Indígenas, instaurado como data oficial pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1995. A história de Bauru está intrinsecamente atrelada às populações indígenas: o próprio nome da cidade vem de “ybá-uru”, traduzido como “cesta de frutas” da língua tupi. Além do nome, a cidade também é marcada pelo processo violento de extermínio dos povos indígenas Kaingangs, Guaranis e Xavantes que habitavam a região.

 

O ano de 2023 registra marcos importantes para a luta indígena: a criação do Ministério dos Povos Indígenas, a nomeação de Joenia Wapichana como a primeira presidenta indígena da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), a mudança da data de 19 de abril como Dia Nacional dos Povos Indígenas e a luta contra a aprovação da tese do marco temporal são alguns dos pontos que continuam mobilizando a população indígena em todo o Brasil. O Censo Demográfico de 2022 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também traz dados relevantes para o tema: 1,7 milhões de brasileiros se identificam como indígenas. Esse número corresponde a 0,83% da população. 

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Em Avaí, município localizado a 39 km de Bauru, concentra-se a maior população indígena do estado de São Paulo: são 677 habitantes autodeclarados indígenas, correspondente a 15,1% da população total da cidade. Em Bauru, são 515 habitantes que se declaram como indígenas, representando um total de 0,14% da população bauruense. 

Seja dentro das aldeias ou inseridos no contexto urbano, a população indígena segue como símbolo de resistência, de luta por território e de preservação de saberes ancestrais, identidades e diversidades de povos originários. Para marcar a data, o J2 relembra 5 conteúdos de mobilização, luta e celebração indígena que passaram pela história do jornal. 

Acampamento Luta Pela Vida (Foto: Victória Ribeiro/Jornal Dois)
1. Do interior ao Congresso: mobilizações do Distrito Federal
Em agosto de 2021, o Projeto de Lei (PL) 490, referente à tese do marco temporal, entrou em votação no Supremo Tribunal Federal (STF). O Acampamento Luta Pela Vida, entre 22 e 28 de agosto, mobilizou mais de 6 mil indígenas de 180 etnias, além de lideranças políticas e organizações civis. A pauta entrou em discussão novamente nesta quarta (9) em comissão do Senado. 

O Jornal Dois, a convite da Terra Indígena de Araribá, acompanhou a delegação dos povos indígenas da região de Bauru em Brasília. Em setembro de 2021, voltamos a acompanhar, a convite da Articulação dos Povos Indígenas (ARPIN) do Sudeste e da Associação de Mulhere Indígenas de Araribá, a II Marcha das Mulheres Indígenas de Brasília. 

Veja mais em: https://jornaldois.com.br/?s=brasilia+indigena

2. Covid-19 nas aldeias

“Foi negligência do hospital”, declarou o cacique Chicão da aldeia Kopenoti, localizada na Terra Indígena Araribá, em Avaí, ao se referir ao primeiro caso de Covid-19 registrado na aldeia, em agosto de 2020. Na ocasião, uma moradora da aldeia havia ficado 20 dias internada no Hospital Estadual de Bauru, e foi mandada de volta para casa sem realizar o teste. Três dias depois, a equipe de saúde multidisciplinar da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) realizou a testagem e confirmou o caso.

No final de 2022, a plataforma Emergência Indígena registrava mais de 900 mortes de indígenas por covid-19. A inclusão da população indígena como grupo prioritário na vacinação contra a Covid-19 chegou em março de 2021, após ação movida pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) no Supremo Tribunal Federal (STF). Em Bauru, 108 indígenas de contexto urbano foram vacinados no mês de março daquele ano. Em Avaí, crianças indígenas de 5 a 11 anos receberam sua primeira dose em janeiro de 2022. 

Veja mais em: https://jornaldois.com.br/foi-negligencia-do-hospital-diz-cacique-sobre-covid-em-aldeia-de-avai/

3. Além dos trilhos ferroviários 

Bauru também é terra indígena. Na reportagem de abril de 2021, o historiador indígena Irineu Nje’a, da etnia Terena, conversou com o J2 sobre a história distorcida sobre a fundação da cidade. De acordo com Irineu, os “lances emocionantes” representam, na verdade, uma história de violência das terras bauruenses. “É uma história esquecida […] Bauru precisa lembrar do que aconteceu”.

Com entrevistas de de Edson Fernandes, professor e historiador, e autor do livro “Tempos de Violência”, da antropóloga indígena Raial Orutu Puri, e de outras figuras importantes da história indígena de Bauru e região, a reportagem é um dossiê aprofundado sobre as raízes originárias de Bauru e as reverberações da violência no processo de urbanização da cidade.

Veja mais em: https://jornaldois.com.br/por-baixo-dos-trilhos-a-historia-indigena-bauruense/

 

4. 19 anos de Tereguá

A aldeia Tereguá, pertencente à Terra Indígena de Araribá, em Avaí, comemorou 19 anos de existência em 2 de 2021. A festa – na época fechada somente para moradores, em decorrência das restrições impostas pela Covid-19 – foi registrada pelo J2, que acompanhou o dia de atividades esportivas, danças tradicionais e a inauguração da Casa da Memória, idealizada pelos próprios moradores da aldeia como elemento de preservação de sua cultura.

Veja mais em: https://jornaldois.com.br/agosto-indigena-avai-teregua-19-anos/

Aniversário de 19 anos da aldeia Tereguá (Foto: Victória Ribeiro/Jornal Dois)
5. Desigualdade educacional

O Censo Escolar 2022, realizado pelo Ministério da Educação (MEC) e Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), apontou que, entre 72,5% dos alunos matriculados com dados de cor e raça informados, pouco mais de 1% se declararam indígenas. Em 2020, os dados do Censo Escolar apontavam pretos e indígenas representando 2% de estudantes do ensino básico em Bauru.

Na reportagem veiculada em maio de 2020, o J2 relatou a maior taxa de defasagem nas taxas de distorção idade-série entre indígenas: eram 21,4% de estudantes, em comparação ao percentual de 9,1% de estudantes brancos com o mesmo problema.

Veja mais em: https://jornaldois.com.br/agosto-indigena-avai-teregua-19-anos/

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