Tá na mesa: de onde vem o alimento que você come em Bauru

Grande parte vem de cidades do interior de São Paulo; mas algumas frutas, verduras e legumes atravessam o país para chegar ao Centro Oeste Paulista

Reportagem publicada em 25 de janeiro de 2018

 

Ceagesp de Bauru é a maior do Centro Oeste Paulista em capacidade e quantidade recebida (Imagem: Lorenzo Santiago / JORNAL DOIS)

Por Lorenzo Santiago e Daniel Russo


A Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) de Bauru faz, todo final de mês, um balanço detalhado dos alimentos que entraram e saíram do único centro de distribuição de frutas, verduras e legumes da cidade. A equipe do Jornal Dois teve acesso à planilha do mês de dezembro de 2018 e mostra agora, com exclusividade, quais são os alimentos que mais entram, de onde vêm, e a variação de preço desses alimentos.

Foram mais de nove mil toneladas de 83 produtos diferentes que vieram para cá em dezembro de 2018. De onde eles vêm?

No mapa, é possível identificar as cidades que enviaram mais produtos para Bauru. As cores identificam o tipo do produto (frutas, verduras, legumes dentre outros) e o tamanho das bolinhas mostram a quantidade — em toneladas.

Os alimentos classificados como Diversos são os grãos, tubérculos, raízes, entre outros que não se enquadram em frutas, legumes verduras e flores.

Itapetininga se destaca pela cultivo e produção de grama, e é este o produto que mais entra em Bauru com mais de 1.200 toneladas.

O estado que mais enviou produtos para Bauru foi São Paulo. No mês de dezembro foram mais de seis mil toneladas carregadas de todo o interior e da capital até a cidade sem limites. No gráfico acima é possível ver quanto cada estado trouxe pra cá em toneladas. Quanto mais escura a cor do estado, maior a quantidade.

Segundo Augusto Remule, técnico operacional agrícola da Ceagesp de Bauru, os alimentos são transportados em sua maioria por caminhões. Poucos vêm de caminhonetes ou kombis. Todos os transportadores fazem uma triagem na entrada da Ceagesp. Uma nota com todas as informações sobre a carga é entregue ao responsável pela triagem.

O estado de São Paulo é o maior responsável pela produção dos alimentos que chegam à Bauru. Algumas cidades se destacam nesse quesito, tanto pela grande produção, quanto pela redistribuição de alimentos.

As cidades acima são as que mais enviaram produtos em quantidade bruta no mês de dezembro por cada tipo de produto. Bauru só tem destaque na produção de frutas: foram 285 toneladas produzidas e repassadas para a própria cidade.

Nossa equipe teve acesso ao registro de entrada de cada produto:

As frutas foram os alimentos que mais entraram em dezembro de 2018. A cada três toneladas que entraram na Ceagesp, uma foi de frutas. A variedade de frutas trouxe 33 espécies diferentes. O produto que mais entrou foi a batata, com 1.717 toneladas.

O preço médio de cada produto também é calculado diariamente pela Ceagesp. Ao fim do mês é feita uma média geral para que seja feita uma comparação com os meses anteriores. Esses dados também foram observados pelo Jornal Dois e compilados nos gráficos a seguir:

A variação do preço ao longo do ano também foi analisada. Os preços médios do mês de abril de 2018 foram comparados aos do mês de dezembro do mesmo ano. Desta forma, foi possível observar quais foram os alimentos que mais tiveram seus preços aumentados ao longo do ano:

A variação do clima, como chuvas e sol forte, altera a produção na lavoura e faz com que os preços dos alimentos também varie. Esse é o principal fator para a mudança dos preços ao longo do ano, segundo Augusto. Mas a distância de viagem dos produtos também interfere: “Quando não tem na região, e os distribuidores tem que buscar em cidades longe, muda o preço também” afirma o técnico operacional.

Para entender quanto o consumidor vai pagar no mercado por cada tipo de alimento, a Ceagesp calcula uma média mensal do preço por quilo dos alimentos.

83 produtos diferentes que chegaram a Bauru em dezembro de 2018 e que vieram de 130 cidades. Foram 11 estados do Sul, Sudeste, Norte e Nordeste que enviaram alimentos para cá. Não foi registrada nenhuma compra no Centro Oeste brasileiro.

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