Bloquinho clandestino: folia e resistência no carnaval bauruense

Sem apoio institucional, o bloco de rua reuniu cerca de 5 mil pessoas no Parque Vitória Régia

Publicado em 25 de fevereiro de 2020

Em nota, a Polícia Militar recomendou que a população não fosse ao Vitória Régia no último domingo. (Foto: Tauan Mateus)

Por Junior Correia e Fellype Borges, colunistas do Jornal Dois

Uma crítica social sobre o bloquinho, ontem, no Vitória Régia, em Bauru.

Sim, somos uma página de zoeiras. Porém estamos atingindo em média MEIO MILHÃO de pessoas, então nos sentimos obrigados a fazer algumas críticas sociais, quando achamos conveniente.

O poder público municipal, por mais um ano, quis proibir que as pessoas se reunissem em um local que é público… Mas uma semana atrás liberou outro bloquinho em via pública, porém num lugar mais elitizado da cidade.

Isso quer dizer que, para a prefeitura e câmara considerarem sujeitos de direito ao lazer (direito elencado no art 6° da Constituição Federal), depende do CEP dos frequentadores dos locais?

Os frequentadores do bloquinho, sem nem saber (a maioria, pelo menos), mostraram um ato de resistência gigantesco ontem. Mesmo com ameaças explícitas (nota da prefeitura) de repressão policial foram até o local e encheram o parque o dia todo.

Acerca da PM (polícia militar), não houve (por um milagre dos céus) repressão explícita, igual teve ano passado. Porém, estavam “enquadrando” pessoas a esmo. Notamos (passamos o dia todo lá) que, em sua maioria, eram pessoas negras as abordadas.

Sobre as abordagens, MEU DEUS DO CÉU, tinha um grupo de PMs que notamos serem novatos, que abordavam APONTANDO A ARMA para os jovens. Notamos casos onde OS JOVENS ESTAVAM DE COSTAS, ou seja, nem sabiam que seriam abordados, E OS PMs SACAVAM A ARMA.

A cavalaria era folgada. Ficava jogando os cavalos em cima das pessoas, meio que querendo que revidassem. Porém a galera nem ligou e continuou curtindo o rolê.

Agora sobre a sujeira, esse é um ponto interessante.

Um parque daquele tamanho não dispõe de lixeiras que comportem a quantidade de lixo produzida por quem frequenta. Em 1h de evento as lixeiras já estavam todas lotadas.

Talvez, se a prefeitura não tivesse boicotado o evento e tivesse dado o mínimo de estrutura, ao invés de ameaçar, o parque teria lixeiras o suficiente para não ficar com lixo espalhado.

Há os que guardaram seus lixos em mochilas, sacolas, para jogar depois, mas a maioria não levou mochilas e sacolas. E, convenhamos, infelizmente, muitos não têm consciência que deixar os locais de eventos sujos só descredibiliza quem os frequentam.

No mais, o bloquinho foi lindo. Não vimos brigas entre os participantes. A galera se divertiu, dançou bastante.
As fantasias estavam lindíssimas, tinha um pessoal bonito (e feio também).

Os frequentadores do bloquinho mostraram um grande ato de resistência frente ao descaso da prefeitura e da câmara.

O problema da prefeitura não é de organização, o problema é social.

Parabéns, baurulinos e região (muitos vieram de cidades próximas), vocês são FODAS!

*Texto publicado originalmente na página Bauruzão Mil Grau.

As colunas são um espaço de opinião. Posições e argumentos expressos neste espaço não necessariamente refletem o ponto de vista do Jornal Dois.

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