Produção bauruense destaca a voz e a participação da mulheres na literatura

Antologia “O vazio não está nem quando é silêncio” tem como objetivo ampliar a voz feminina e dar visibilidade para a literatura na região

Publicado em 16 de agosto de 2020

Obra segue na pré venda até p dia 12 de setembro por meio do catarse (Foto: divulgação)
Por Victor Oliveira

O mês de agosto marcou o lançamento de mais uma obra para a literatura bauruense. O livro “O vazio não está nem quando é silêncio”, da editora Mirerveja, está disponível na pré venda desde o dia 5 de agosto. A obra reúne textos de mulheres bauruenses que refletem sobre as vivências e os desafios do cotidiano.

Vinte escritoras que moram, ou já estiveram na cidade, foram escolhidas pela editora para fazer parte da coletânea de contos que abordam a complexidade e a diversidade do universo feminino. Racismo estrutural, maternidade, não-maternidade, solidão, afeto, masturbação, trabalho e violência doméstica são algumas das pautas levantadas pelas autoras que trazem a própria perspectiva para o debate.

A organização foi feita por Patrícia Lima, que é formada em letras e  coordena o grupo de leitura Cevadas Literárias. Para ela, o livro tem o potencial de visibilizar as experiência feminina e a literatura, de transmitir informação e transformar realidades. A leitura, para Patrícia, possibilita a conexão com outras realidades, situações e contextos que um determinado grupo de pessoas não vivenciam no cotidiano.

      O tema surgiu de uma demanda observada pela Mireveja. Segundo o editor, João Correia, a região de Bauru tem poucas obras literárias que discutem pautas ligadas ao movimento de mulheres. Patrícia e João começaram a divulgar o projeto ainda em 2019 e foram recebendo textos para a seleção. A publicação resulta da escolha de 20 textos, mas a coordenadora explica que recebeu 109 produções de 53 escritoras. Por conta do alto número de redações recebidas, as histórias selecionadas atenderam alguns critérios:

“A gente conversou bastante, trocou muitas ideias e selecionamos por três critérios: a qualidade literária, a ampla diversidade entre as mulheres que estavam sendo apresentadas ali, ou seja, se tinha mulheres negras, lésbicas ou de periferia; e também, durante a seleção, a gente foi buscando um tom de textos que coubessem no mesmo universo, com características fortes e com uma certa profundidade”, relata Patrícia.

      A equipe editorial ainda conta com a presença de nomes importantes do mundo editorial, como a designer paulistana Luciana Facchini, especialista em projeto gráfico, e a fotógrafa Nádia Maria, responsável por publicações internacionais e pela foto de capa da obra.

Diversidade

A literatura ainda é um espaço com a valorização de pessoas predominantemente brancas. Por isso a iniciativa tem o objetivo de ampliar e incentivar mulheres negras, periféricas, lésbicas e trans a publicarem mais livros e sensibilizar o olhar dos leitores para os diferentes movimentos e subjetividades do universo feminino. 

Outro foco importante destacado por Patrícia é o rompimento com os estigmas e o foco na representação. “A importância da obra na busca por espaço é imensa, porque a literatura, além de representar quem escreve, leva para o leitor um universo que ele desconhece”, enfatiza a organizadora.

O que coloca todas as autoras do livro em comum é a cidade de Bauru, mas as histórias são contadas a partir do espectro de cada uma das escritoras que, apesar da relação com o território, têm diferentes características e vivências. Assuntos como a não-maternidade são trazidos em três textos e relatam a dificuldade de se ter um filho, as escolhas a respeito da gravidez e mães que não conseguem os seus, além de trabalhar vários sentimentos como a solidão, a superação e o amor próprio, diante desses desafios. Pela profundidade das abordagens, a coordenadora ressalta que a obra ultrapassa a influência local

“Tem pessoas de outros estados comprando o livro, então é uma visibilidade que vai para além da região e além dos temas que são locais. Não tem nada que diz ali que somos de Bauru. Na literatura é claro que a gente informa, mas os temas são universais, a ideia é sair daqui para o mundo”, enfatiza Patrícia.

Tita Santos, foi uma das mulheres negras que trouxe o racismo para coletânea e escreveu sobre afetividade e a dificuldade das mulheres negras em acessar esse sentimento. Já Fernanda Rosário aprofundou a pauta racial refletindo sobre a violência através da estética, a comparação com as mulheres brancas e como isso é um símbolo dentro de uma relação amorosa. 

Campanha

       Para viabilizar a publicação, o formato escolhido foi o  financiamento coletivo. Segundo João, esse modelo está sendo útil para o universo editorial, principalmente no período de pandemia. Qualquer um pode ajudar na remuneração e produção dos livros durante a pré venda. 

       A obra custa R$40,00 e os apoiadores da campanha Mireveja recebem a impressão da foto de capa do livro feita pela Nádia Maria, frete gratis, marcadores de página e combos de exemplares a preços especiais. A pré venda estará disponível até 12 de setembro no link: www.catarse.me/ovazio.

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