Prêmio internacional: designer de Bauru ilustra app que auxilia combate à covid-19

Enrico Hion faz parte da equipe premiada na iniciativa The Global Hack; o aplicativo Cautio monitora pacientes com coronavírus sem assistência hospitalar

Publicado em 12 de maio de 2020

Ferramenta digital tem foco em pessoas diagnosticadas com coronavírus e que não puderam ser internadas, possibilitando acompanhamento médico à distância (Imagem: cautio/Reprodução)
Por Victor Oliveira

A pandemia do novo coronavírus trouxe ao mundo uma nova perspectiva de vida e de solidariedade. Desde março, a disseminação da doença no Brasil vem causando transformações na gestão de saúde pública. Enquanto alguns governos lidam com a pandemia adotando o isolamento sem restrições, outros buscam acreditar que manter a economia e apostar em um isolamento vertical pode ser a melhor alternativa. 

Pesquisas sobre a covid-19 são recentes: cientistas ao redor do mundo trabalham para encontrar a vacina. Enquanto isso, países enfrentam crises no sistema de saúde e a calamidade pública diante de uma doença que tem a fácil transmissão como principal aliada. 

Nesse cenário, a tecnologia tem sido ferramenta para auxiliar países no combate ao vírus. É aqui que a história de Enrico Hion, designer formado pela Universidade Estadual Paulista, a Unesp em Bauru, se mistura com os esforços globais para deter a doença. 

Enrico faz parte da equipe que criou o cautio, o aplicativo que foi premiado no concurso The Global Hack. O app tem como principal objetivo auxiliar o monitoramento, por parte do poder público, de pessoas com covid-19 sem acesso a leitos, seja por falta de equipamentos ou por apresentarem sintomas leves.

Médicos e pacientes podem utilizar o aplicativo de forma gratuita, sendo necessário que os órgãos governamentais aprovem e regulamentem a plataforma em seu município.

O pedido para integrar a equipe veio do amigo Filipe Costa, que coordenou o projeto e colocou Enrico entre profissionais de diferentes partes do mundo. “Eu era o único que estava no Brasil, porque todos estão na Suíça ou na Suécia, na situação de lockdown. Foi bem interessante, pois tive que me adaptar à questão do fuso horário”, comenta o designer, que ilustrou a interface do app. 

Atualmente, Enrico trabalha em uma agência de publicidade Bauru. Andrei Sousa, Célio Latorraca, e Winner Crespo são os demais participantes. 

Liderada por Filipe, a equipe mergulhou por três dias na construção do aplicativo. Durante a fase de elaboração, Enrico conta que tiveram a mentoria de membros do concurso, e que logo perceberam a potencialidade que o projeto poderia alcançar. 

“A gente teve feedback a cada três horas durante o projeto e todos os mentores falavam muito bem da parte do design. Eles gostaram bastante e eu senti uma satisfação incrível de poder contribuir com essa minha formação. Esperamos que possa ajudar muita gente”, anima-se Enrico.

Com o segundo lugar na premiação do The Global Hack, o cautio ganhou visibilidade e está pronto para ser implementado. Segundo informa ao J2, a equipe do app está conversando com hospitais e órgãos governamentais para inserção na Europa e também no Brasil. O projeto ganhou 5 mil euros na premiação.

“Eu acredito que é muito importante que nós tenhamos uma visão sistêmica do que está acontecendo na sociedade como um todo”, conta Filipe, idealizador do projeto que é formado em Direito pela UFBA, a Universidade Federal da Bahia. “Nós fazemos parte desta sociedade e pensamos de que forma nós podemos contribuir. Então veio esse lampejo para mim e a partir do momento que ele veio, me trouxe a grande motivação de fazer e se tornar realidade”. 

The Global Hack é uma iniciativa internacional que busca incentivar e mobilizar hackathons ao redor do mundo para enfrentar problemas globais. A palavra em inglês vem da união de hack (programar) com marathon (maratona): é uma maratona de programação que junta profissionais da tecnologia, por horas ou dias seguidos, com o objetivo de criar soluções de impacto.

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