Museu Ferroviário completa 30 anos de história em Bauru

Localizado no centro, guarda documentos e artefatos de uma das maiores linhas ferroviárias que o país já teve

Publicado em 24 de agosto de 2019

Estação ferroviária Noroeste do Brasil (Foto: Henrique Nakandakare/Jornal Dois)
Por Raphael S. Macedo 

Nesta segunda-feira (26) o Museu Ferroviário Regional de Bauru comemora 30 anos desde sua inauguração e fará um evento de confraternização na mesma data com início às 14 horas. Na terça, um ateliê aberto ao público vai mostrar os processos de conservação de obras com temática ferroviária e pequenos restauros em telas.

Fundado em 26 de agosto de 1989 no antigo prédio administrativo da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, o Museu Ferroviário é uma instituição pública, vinculada ao Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural da Secretaria Municipal de Cultura de Bauru.

Sua criação foi motivada pelo intuito de preservar e expor o material das empresas Companhia Paulista (CP), Estrada de Ferro Sorocabana (EFS) e Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), que atuaram na cidade e formavam um dos maiores entroncamentos ferroviários do Brasil.

Para marcar a data simbólica, o Jornal Dois falou com o ex-ferroviário Flávio Gamonar, de 59 anos, que trabalhou de 1977 até 1996 na NOB. Ele conta que a proximidade com as ferrovias existe desde seu nascimento, pois seu avô Elogio Barba e seu pai, José Gamonar sempre estiveram envolvidos com as estações ferroviárias de alguma forma.

Raphael Serafim, repórter do J2: Você se lembra como foi seu começo? Algo que tenha te marcado?

Flávio Gamonar: Quando completei 12 anos de idade, ingressei na “Escolinha CFP” (Centro de Formação Profissional). Depois de formado no CFP, trabalhei fora e retornei à ferrovia em 1981. Trabalhei em vários setores: oficinas centrais, oficina diesel , setor de baterias de locomotivas e carros de passageiros… Em 1996, participei da primeira restauração da locomotiva a vapor 278, foi criado o trem da integração, onde viajamos algumas vezes até o Mato Grosso do Sul com a 278 e carros de madeira carregados de peças de museu, contando um pouco da história da NOB, da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Saí da RFFSA quando iniciou a privatização em 1996.

“Lá fiz muitos amigos e até hoje continuamos a fazer novas amizades com outros ferroviários, somos todos muito parceiros”, lembra Flávio.
Placa na entrada do museu ferroviário (Foto Raphael S. Macedo/Jornal Dois)

Segundo a museóloga Luiza Barbosa, que atua em diversos pontos da cidade pela Secretaria da Cultura, o museu localizado na Primeiro de Agosto, 1-36, recebe visitas do Brasil inteiro e até mesmo de fora do país. “Essas visitas ocorrem principalmente nos feriados e pontos facultativos, por isso temos aberto o museu nesses dias também”.

Com apoio do Programa de Ação Cultural (ProAC) do Governo do Estado de São Paulo, foi criado em 2018 o portal online Projeto Museu Ferroviário que serve como acervo virtual do museu. Além de uma forma de se modernizar,  permitindo outras formas de visita, o portal representa uma segurança para a instituição, caso ocorra alguma perda dos documentos físicos.

Um “plano maior” que a cidade de Bauru apenas acompanhou

Luiza, que cuida do Museu Regional, aponta que o declínio da indústria nacional ferroviária foi consequência do plano “50 anos em 5” do então presidente Juscelino Kubitschek, que tinha o intuito de industrializar o Brasil rapidamente.

“Ele trouxe muito investimento estrangeiro para o país, em contramão do que Getúlio Vargas havia feito anos antes com grandes empresas estatais, além de mão de obra e matéria prima nacional”, explica a museóloga.

“Não só na ferrovia, como também na siderurgia e hidroelétricas por exemplo, as indústrias tinham caráter nacional. Portanto, o fim do investimento e o processo de abandono da Estação Noroeste apenas acompanhou algo muito maior, e o sucateamento da indústria nacional foi consequência direta disso”, resume.

Ainda segundo Luiza, a principal razão pela qual as ferrovias ficaram de lado foi o fato de que essa indústria tinha caráter econômico – um objetivo claro e custo barato, o que refletia em pouco lucro. 

De 1955 em diante,  o país começou a investir muito mais em rodovias e transporte rodoviário, o pioneirismo da NOB e sua praticidade tornaram-se com o passar dos anos riqueza histórica para a cidade.

“De alguma maneira todos os bauruenses tem uma relação de identidade com a ferrovia, ela tem uma importância histórica e social. Vários presidentes vieram para Bauru por causa dela, e sua importância para a riqueza cultural da cidade é imensa"
Luiza Barbosa

Serviço

O horário de funcionamento do Museu para o público é de terça a sexta-feira das 8h30 até às 17h com pausa para almoço. Aos sábados, funciona de 8h30 às 13h30, e nos feriados é das 9h até 14h. 

Está sendo estudada a possibilidade de ficar aberto ininterruptamente, já que, como aponta Luiza, “muita gente visita o local no horário de almoço por causa do espaço de convivência agradável e calmo. Além disso, esses visitantes de fora geralmente chegam exatamente nesse horário de almoço.”

O Jornal Dois vai estar lá para acompanhar o evento de comemoração do aniversário do museu na próxima segunda-feira (26). Aparece lá também!

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