“Mônica nasceu em Bauru”, diz Mauricio de Sousa

Cartunista posta foto e relembra a época de sua vida em que morou na cidade com a esposa Marilene e suas filhas

Publicado em 16 de abril de 2020

"Bauru, SP. Rua Araujo Leite, 22-03, ano de 1962. Eu seguro Mariangela, primeira filha, com quase dois anos. Minha esposa Marilene sustenta a filha Mônica com poucos meses. Mônica nasceu em Bauru”, conta Maurício (Foto: Reprodução/instagram.com/mauricioaraujosousa/)
Por Natália Santos

Em meio a quarentena, na calmaria do dia a dia, momentos de reflexões e lembranças podem vir à mente e não foi diferente com um dos mais famosos cartunistas brasileiros: Mauricio de Sousa.

O escritor postou em sua conta no Instagram uma memória de 1962. Na legenda, Mauricio conta que a foto foi tirada na cidade de Bauru em sua antiga casa na Rua Araújo Leite, 22-03. Na imagem, o cartunista segura sua primeira filha Mariangela enquanto Marilene, sua esposa na época, tem nos braços a filha Mônica, que nasceu na cidade e, posteriormente, inspirou a criação da personagem de mesmo nome. 

Hoje, a casa de número 03 na vigésima segunda quadra da rua Araújo Leite é uma clínica de odontologia. Segundo o proprietário e cirurgião dentista, Fábio Aznar (40), os vizinhos mais antigos foram os responsáveis por passar a história adiante e compartilhar que o espaço, anteriormente, havia sido a casa do pai da Turma da Mônica.

O espaço não é mais o mesmo. Após ser adquirido pelo novo dono em 2017, algumas mudanças foram feitas.

“A casa passou por reforma, sendo que alguns cômodos foram mudados. Entretanto, outros foram mantidos pelo tamanho adequado. Por coincidência, um desses cômodos mantidos foi o quarto da Mônica”, compartilha Fábio. 

Em homenagem à vida do cartunista na casa, um painel com o tema da Turma da Mônica foi colocado em uma das paredes do consultório, criando um espaço voltado para as crianças. Mas, quem acaba se interessando mesmo pela história são os adultos.

Segundo Fábio, sempre que os clientes questionam a escolha dos personagens na parede, os funcionários do consultório contam sobre a passagem de Maurício por Bauru (Foto: Reprodução/Acervo pessoal Fábio Aznar)

Assim como para outras crianças dos anos 80, a Turma da Mônica marcou a infância de Fábio Aznar. O cirurgião era fã e colecionava os gibis. Além disso, a turminha contribuiu com o seu processo de alfabetização na época.

A história por trás dos gibis

Mauricio iniciou sua carreira em 1959 na Folha da Tarde, edição vespertina do grupo que hoje edita a Folha de S. Paulo. No caderno “Ilustrada”, o cartunista publicou a sua primeira tirinha cujos personagens eram o cachorro Bidu e seu dono Franjinha.

A personagem Mônica, inspirada em sua filha bauruense, apareceu pela primeira vez em 1963 como coadjuvante em uma tirinha do Cebolinha, mas logo transformou-se na protagonista de Mauricio. Somente sete anos depois, em 1970, Mônica ganhou a sua própria revista publicada pelo Editora Abril. 

Não demorou muito tempo para aos personagens do cartunista ultrapassarem os limites dos jornais e dos gibis e tomarem grandes dimensões, alcançando produtos licenciados, programas de televisão, parque infantil, canais no YouTube e tradução para mais de 30 países.

Depois de vender um bilhão e duzentos milhões de revistas em 60 anos de existência, a Turma da Mônica passou a fazer parte até do processo de alfabetização de crianças por diversas gerações. 

As histórias da turminha, produzidas pela Mauricio de Sousa Produções – empresa fundada pelo cartunista, ainda podem ser encontradas em livros didáticos e em provas para acesso ao nível superior.

Quadrinhos para informar

Em 2018, uma parceria entre o Ministério dos Direitos Humanos (MDH) e o Instituto Maurício de Sousa resultou na criação de uma versão com linguagem acessível do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O objetivo do projeto era utilizar a linguagem dos quadrinhos e dos personagens do bairro do Limoeiro para apresentar, de forma lúdica, às crianças e aos adolescentes, os seus direitos.

O contato e a responsabilidade com o público infantil e jovem permanecem constantes e além das páginas dos gibis. Em meio à pandemia de COVID-19, algo surpreendente aconteceu: o Cascão superou o seu medo de água e foi lavar as mãos. A ação foi feita para enfatizar a importância dos cuidados com higiene para combater o avanço do vírus entre as crianças. O anúncio oficial foi feito na conta do Twitter da Turma da Mônica.

A presença de Mauricio de Sousa em Bauru soma mais um famoso na lista de grandes nomes da História que já passaram pela cidade como o cantor e compositor Tim Maia, o jornalista e escritor Lima Barreto e revolucionário argentino Che Guevara.

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Comments

  1. Eu substituiria Che Guevara pelo grande ator Edson Celulari, que é de Bauru e fala muito bem da cidade. A contribuição de Celulari é muito mais importante, pois depois de alguns anos, descobri como fui enganada pelos ideais de Fidel e Che, afinal o resultado foi desastroso para o povo.

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