Marcha das Mulheres Negras de São Paulo promove atividades online para celebrar o Dia da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha

Evento terá 12 horas de atividades gratuitas, que serão transmitidas ao vivo

Publicado em 25 de julho de 2020

Foto das linha de frente da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, com uma faixa com a moto da manifestação, segurada pelas participantes da marcha.
Marcha das Mulheres Negras marca o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha, na rua da Consolação, região central de São Paulo, em 25 de julho de 2018. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Por Ana Carolina Moraes

“A Marcha não para absolutamente nunca”, comentou Eliane de Souza Almeida, jornalista e membro da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo. O evento, que há cinco anos ocorre em comemoração ao Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Teresa de Benguela, ganhou configurações digitais em 2020: para evitar a disseminação do coronavírus, a Marcha será realizada de forma virtual, para conectando as pessoas de todas as partes do país e do mundo. 

Com o lema “Nem cárcere, nem tiro, nem Covid: corpos negros vivos! Mulheres negras e indígenas! Por nós, por todas nós, pelo bem viver!”, a manifestação conta com uma programação de 12h de atividades online, que serão transmitidas ao vivo. Além disso, duas intervenções físicas serão realizadas durante o dia na capital paulista e em Santos. 

“O desafio tem sido aprender a lidar com todas as ferramentas digitais em um espaço tão curto de tempo. Nós nos articulamos para oferecer internet às mulheres negras que compõem a marcha e tinham alguma dificuldade de conexão, fizemos formações continuadas para que todas pudessem usar todas as ferramentas”, conta Eliane sobre a organização da Marcha. “Tem sido uma experiência muito incrível, estamos felizes porque está ficando tudo tão lindo, com tanto afinco, com tanta potência, com vontade efetivamente de transformar a realidade”.

O coronavírus e a população negra brasileira

A pandemia escancarou todas as formas de desigualdades no Brasil. Essa é a percepção de Lúcia Xavier, coordenadora da ONG Criola e integrante do Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030, da ONU Mulheres Brasil. “A pandemia tornou nítido o racismo, a violência e as desigualdades que impactam sobremaneira a vida das mulheres negras. Para superar essas crises, é preciso trazer os direitos humanos como base das soluções”, explicou.

De acordo com o Núcleo de Operações e Inteligência em Saúde, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, os negros morrem mais do que os brancos na pandemia do coronavírus no Brasil. Com base nos dados de maio do Ministério da Saúde, o núcleo realizou um levantamento com cerca de 30 mil casos, dos quais 54,8% das vítimas eram pretos ou pardos. 

Por isso, neste ano, a luta também é contra a Covid-19, reivindicando o acesso e melhores condições para a saúde da população negra. Parte do manifesto da Marcha das Mulheres Negras destaca também o levante conta todas as formas de opressão na sociedade:

“Erguemos nossas vozes contra o encarceramento em massa, o capacitismo, a lesbofobia, a transfobia, a intolerância religiosa, a xenofobia, o etarismo e em defesa de todas as Mulheres Negras, onde quer que elas estejam. Resgatamos nossa aliança de parentesco com as indígenas e marchamos pela construção de um novo marco civilizatório, no qual todas as mulheres negras possam viver com dignidade, alegria e prazer.”

 

Luta e beleza

“A gente queria um alcance de 20 mil pessoas no começo, mas depois percebemos que temos um potencial muito maior por causa da internet. Aproveitamos essa oportunidade da internet para homenagear as nossas mais velhas, homenagear as nossas mais novas, a nossa ancestralidade”, explica Eliane sobre as atividades programadas para a celebração. “Vai ser um dia de luta e de muito beleza”, destaca.

Arte com os símbolos da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, com as palavras em destaque "Programação 25 de julho".
(Arte: Marcha das Mulheres Negras de São Paulo/ Divulgação)

A programação online começa a ser transmitida às 14h, com uma live de abertura conduzida por Yalorixás, saudando a ancestralidade. Em seguida, às 15h, será exibida programação infantil. Durante a Marchinha, as crianças vão assistir a contação de histórias, oficinas de bonecas abayomi, oficinas de confecção de instrumentos africanos e indígenas, e apresentação da palhaça Pururuca.

Às 16h, o bloco afro Ilú Obá de Min promove uma aula-espetáculo apresentando toques deritmos afrodiaspóricos usados em sua bateria. Na sequência acontece a live “Marcha das Mulheres Negras 5 anos: perspectivas de futuro pós-covid”, produzida em parceria com o Sesc Itaquera, que vai relembrar a histórica marcha de 2015, na qual 50 mil mulheres negras se manifestaram em Brasília; analisar a conjuntura social e política, além de pontuar nossos anseios para o pós-pandemia.

Às 19h, poetas negras cis e trans promovem um sarau literário e uma homenagem póstuma a Tula Pilar e Helena Nogueira.

Às 20h, será realizada a live “Genocídio, Feminicídio, encarceramento e outras formas de nos matar”, que vai debater os temas presentes no mote deste ano. Luana Hansen e Samba Negras em Marcha encerram a programação, a partir das 21h30.

Para acompanhar a programação, acesse as redes sociais da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo. Clique aqui para acessar o Facebook e aqui para entrar no Instagram.

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