Inscrições para o Festival de Artes Cênicas de Bauru terminam amanhã

Realização do evento estava marcada para setembro, mas foi prorrogada para novembro por conta da pandemia; artistas da dança, teatro, performance e circo podem participar

Publicado em 29 de maio de 2020

No FACE, As 3 Marias, do Núcleo Chicote de Língua (Foto: Bianca Brito/Reprodução)
Por Victor Oliveira

Artistas da cidade podem se inscrever na nona edição do Festival de Artes Cênicas, o FACE, até amanhã, dia 30 de maio. De acordo com o edital, as modalidades aptas para a seleção são dança, teatro, performance e circo. Nesta edição o evento aborda o tema “Lugar Manifesto” com realização prevista para o mês de novembro. 

Inicialmente o festival estava marcado para setembro, mas foi adiado devido à pandemia do novo coronavírus. Andressa Francelino, diretora geral do FACE Bauru, explica que, por isso, a organização optou por também estender o prazo de inscrições, de abril para o final de maio. 

O FACE é uma mostra cênica não-competitiva de espetáculos, oficinas, workshops e bate-papos. Sua primeira edição foi em 2012 e Andressa comenta que o “seu surgimento foi uma resposta expressiva às inquietações e anseios do grupo Protótipo Tópico quanto ao fomento e o fortalecimento do cenário das Artes Cênicas”.

Como colocado pela diretora, o FACE “já faz parte do calendário de ações artísticas na cidade de Bauru” e neste ano é uma realização do Protótipo Tópico, da Sociedade Amigos da Cultura e do Programa de Ação Cultural da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, junto à Secretaria Municipal de Cultura de Bauru. 

Em 2020, a nona edição do evento apresenta o tema “Lugar Manifesto”, que vê a arte como a proposta de resistência no momento de crise mundial. Fábio Valério, diretor artístico do festival, comenta essa abordagem: “Poder elevar a estética, o movimento, a contradição, o manifesto, é, e sempre será um elevado sinal de cultura, de resistência e da memória do agora. Sim, continuamos aqui e continuaremos sempre onde houver civilização, onde houver a possibilidade, mesmo que fragmentada de encontro com o outro.” 

Em entrevista ao Jornal Dois a diretora do FACE, que também é atriz e produtora, comenta como a organização pretende expor o questionamento levantado pelo tema do festival: “Após as apresentações são realizados bate-papos com a participação de um mediador visando criar um aprofundamento da experiência”, explica Andressa. “Além disso, a ação pretende impulsionar o público participante a refletir e questionar narrativas vivenciadas”, completa. 

De acordo com o edital, dez projetos serão escolhidos para se apresentar no festival – sendo, de acordo com a diretoria, no mínimo sete aprovados pela seleção e até três grupos convidados. A análise das candidaturas será feita por uma comissão de três membros nomeados pela Secretária Municipal da Cultura e pelo grupo Protótipo Tópico.

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Quase uma década de história

O FACE está presente no centro oeste paulista desde 2012, mas foi a partir de sua quinta edição em 2016 que conseguiu ganhar força com o suporte de editais. “A cada ano é sempre uma conquista conseguir realizar o festival”, conta Andressa. “Possuo um carinho enorme por todas as edições, mas a partir da quinta conseguimos aprovar o evento em editais e conseguimos dilatar a proposta da realização”. 

Em suas três últimas edições o festival trouxe temas que pretendiam gerar reflexão e fazer o público tomar conhecimento dos dilemas sociais. Na edição de número seis,  a proposta foi o “Lugar Memória”, de Pierre Nora. Ao relembrar desse festival realizado em 2017, Andressa comenta que o conceito foi tomado por base “para direcionar nossas atividades, visando estabelecer uma conexão entre as ações artísticas e os espaços de cultura que a cidade de Bauru disponibiliza à sua população”.

“Já na sétima edição, em 2018, tomamos como base o tema ‘Lugares de Resistência’ por compreender que o FACE se apresentava naquele momento como um espaço de resistência que proporciona a reflexão acerca da construção de uma memória coletiva”, lembra a diretora. “Na oitava edição, realizada em 2019, tomamos como base o hibridismo para refletir novos espaços de convivência da diversidade e do pluralismo cultural”.

Andressa ressalta que a trajetória do festival em conjunto com a reflexão do momento histórico foi fator fundamental para escolha do tema da edição de 2020. “O ‘Lugar Manifesto’, alocando em nossos palcos e em nossas ruas espetáculos e ações formativas que tragam propostas prospectivas, questionadoras, transgressoras e mobilizadoras”.

Nesse ano o grupo Protótipo Tópico contará com as parcerias do Governo do Estado de São Paulo, por meio do edital ProAC – legislação de incentivo à cultura –  e a Prefeitura de Bauru, que por meio da Secretaria Municipal de Cultura irá atuar como co-realizadora e contribuir com parte dos cachês dos grupos selecionados, segundo relata a diretora. 

Foi após informe da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, prorrogando os prazos de execução dos projetos contemplados pelo ProAC Editais, que o FACE Bauru adiou suas etapas de realização.

E trabalho na organização

Principal responsável pelo Festival de Artes Cênicas de Bauru, o Protótipo Tópico está na cidade de Bauru desde 2011. De acordo com Andressa Francelino, o grupo “se ocupa de diversos projetos de pesquisa, da construção de espetáculos e de fomentar a arte na cidade realizando diversos eventos culturais, saraus, encontros, grupos de estudo, festivais e mostras”.

Além da organização destes eventos, o grupo gere o Espaço Protótipo. O local é independente destinado à pesquisa, criação, formação, intercâmbio e difusão das artes. “O Espaço está para além de sede das atividades do grupo, pois funciona como um catalisador das práticas artísticas na cidade”, salienta Andressa.

Fundado em 2013, o local oferta ações de formação e difusão gratuitas e/ou a preços populares através de oficinas, cursos, mostras públicas, saraus, temporadas de espetáculos, shows musicais, exposições e Cabarets. Andressa ressalta as ações realizadas pelo grupo as quais têm “contemplado artistas, estudantes, grupos e público geral de Bauru e região”. O espaço acolhe grupos de teatro, artistas e festivais, como também apresentações de companhias que circulam por meio de editais.

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