Em chamado nacional contra PL 490, indígenas bloqueiam rodovia em Avaí. Bauru também registra ato 

Intervenções foram realizadas nesta quarta-feira (30); projeto de lei trata de um ‘marco temporal’, que aumenta a vulnerabilidade da população indígena e dá margem para a retirada de terras

Publicado em 01 de julho de 2021

Indígenas seguem mobilizados desde o início de junho em todo território do país; em Brasília, mais de 850 pessoas estão no acampamento Levante Pela Terra para protestar contra tramitação de proposta (Foto: Joyce Rodrigues/Jornal Dois)
Por Camila Araujo e Joyce Rodrigues
Os povos das aldeias Kopenoti, Nimuendajú, Ekeruá e Tereguá, que compõem a Reserva Indígena de Araribá, realizaram uma manifestação nesta quarta-feira (30), contra a aprovação do Projeto de Lei 490. Na presença de 160 manifestantes, entre os quais bauruenses apoiando a causa, o ato bloqueou as duas vias da Estrada Vicinal Duartina Avaí, localizada a cerca de 35 km de Bauru, por uma hora e 30 minutos.
 
A concentração para as intervenções começou por volta das 10h da manhã no território da aldeia Tereguá, onde moradores de Araribá realizaram pinturas faciais e confecção de cartazes para serem distribuídos entre os manifestantes. Manifestantes da região de Bauru também estiveram presentes.
 
As lideranças das aldeias comentaram sobre as intervenções feitas contra o PL por mais de 850 indígenas no acampamento Levante Pela Terra em Brasília: “Nós não sabemos o que eles estão passando, não sabemos se eles estão dormindo bem, se estão bebendo água. Tem crianças, jovens, senhoras e senhores. É uma luta só, independente de etnias”, disse Edivaldo Lipu, morador da aldeia Kopenoti.
 
Durante o ato, os homens indígenas presentes realizaram danças tradicionais como a Kipaé, “dança das emas”, enquanto as mulheres dançaram o Putu Putu. Instrumentos musicais como violão, tambores e maracás foram usados para entoar os cantos que guiaram as danças.
 
Alício Lipu, morador da aldeia Ekeruá, disse para o Jornal Dois que o PL tem sido discutido “de forma arbitrária” pela Câmara dos Deputados e sem diálogo prévio com a população indígena. “Estão passando por cima das comunidades, não estão consultando os povos indígenas. Somos contrários à proposta. Não queremos que aprovem o PL 490”, afirmou.
Em Bauru, manifestantes se reuniram em frente à Câmara Municipal de Bauru às 13h, organizado de forma espontânea. 
 
Os dois atos compuseram um chamado nacional de mobilização em repúdio à tramitação do PL 490.
O projeto, elaborado em 2007, foi aprovado na última quarta-feira (23) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Câmara dos Deputados, depois de a votação ter sido adiada devido a uma manifestação indígena no dia anterior que terminou com repressão policial.
 
A proposta trata de um marco temporal, prevendo que só poderão ser consideradas terras indígenas aquelas em posse dos povos originários antes da data em que ocorreu a promulgação da Constituição de 1988. A comprovação de posse passa a ser uma exigência, algo que não existia antes.
 
Rejeitado pela Comissão de Direitos Humanos em 2009, projeto aumenta a vulnerabilidade da população indígena e dá margem para a retirada de terras. Segue agora para a apreciação do plenário da Câmara dos Deputados, depois deve ser enviado para a aprovação do Senado.

Veja fotos registradas no ato em frente à Câmara Municipal: 
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