Fogo no Cerrado nesta terça: ‘fiscalização não é comum na região’, diz Semma

Equipe do J2 esteve no local conhecido como Floresta Urbana, próximo do córrego da Água Comprida, depois que grupo de ambientalistas informou sobre focos de incêndio; pasta do Meio Ambiente vai analisar caso 

Publicado em 14 de julho de 2021 

Incêndio aconteceu próximo aos residenciais Bela Europa e Bela América (Foto: Victória Ribeiro/Jornal Dois)
Por Camila Araujo e Victória Ribeiro 

Carlos Ricardo, morador do bairro Jardim Samburá, viu dois focos de incêndio na mata conhecida como “Floresta Urbana”, ao lado do córrego da Água Comprida, por volta das 18h20 desta terça-feira (13). Um deles aconteceu ao lado dos residenciais Bela América e Bela Europa e o outro a 300 metros dos empreendimentos. O morador, sem saber a quem recorrer, informou o fato a um grupo de ambientalistas e defensores do meio-ambiente de Bauru.

A “Floresta Urbana”, localizada entre as avenidas Nações Unidas e Luiz Edmundo Coube, possui 598 mil metros quadrados de Cerrado e Mata Atlântica. É preservada por lei municipal, por se tratar de uma Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), e também à nível estadual, pela Lei do Cerrado. Atualmente, 150 mil metros quadrados dessa região custam mais de R$30 milhões aos cofres públicos do município, fruto de uma disputa judicial entre proprietários da terra e a prefeitura.

Carlos é morador do prédio “Campo Limpo” e conta que acompanhou a situação pela janela. O Corpo de Bombeiros, relata ele, teria chegado ao local por volta das 18h40. Em entrevista ao J2, o morador diz que mesmo após a operação, reparou que ainda havia fogo em outra área e foi até a corporação para acionar um segundo atendimento. Além disso, ao menos cinco ligações foram feitas até que um novo socorro fosse prestado, às 21h30.

Samuel Bertinotti, cabo do Corpo de Bombeiros, comentou que a corporação atua com três viaturas e não possui os equipamentos necessários para entrar em locais fechados, como é o caso da Floresta Urbana. O município possui importantes áreas de cerrado, bioma que ocupa apenas 1% do Estado de São Paulo. Na opinião do cabo, que respondeu ao chamado dos ambientalistas nesta terça (13), a demanda é grande para o tamanho da cidade.

“Nós fazemos um chamado para a conscientização, para que as pessoas não coloquem fogo em terrenos para limpar o local ou simplesmente sem motivo. É preciso que os órgãos públicos, privados e a própria população ajudem a divulgar esta mensagem”, disse.

A Secretaria do Meio Ambiente (SEMMA) de Bauru não tinha conhecimento sobre o ocorrido. Segundo Dorival Coral, secretário do meio-ambiente, um fiscal foi acionado para constatar o incêndio e avaliar possível abertura de investigação.

De acordo com ele, existe fiscalização municipal em todos os fragmentos de vegetação, mas que essas fiscalizações não são comuns na Floresta Urbana, ocorrendo com maior frequência no Horto Florestal e no Jardim Botânico, diz o gestor.

Para entender melhor o caso da Floresta Urbana, assista à entrevista com Jenyfer Evelyn, estudante de direito e membro do coletivo Ação Libertária. 

 

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