Por Bruno, Dom e a Amazônia, o nosso grito

Manifesto pede que assassinato de indigenista e jornalista seja investigado; ato em memória da dupla e em apoio à luta pela terra acontece na quarta-feira, 22 de junho, em frente à Câmara Municipal de Bauru

Publicado em 21 de junho de 2022

Movimentos sociais se juntam para lembrar a luta de Bruno Pereira e Dom Phillips, desaparecidos e mortos fazendo seus trabalhos no Vale do Javari (Colagem por Camila Araujo/Jornal Dois com fotos de Alberto César Araújo/Amazônia Real)
Movimentos sociais de Bauru*

O grito dos povos nativos agredidos e ameaçados de extermínio é também nosso grito!

O grito das vítimas da violência sistemática que elimina defensores de direitos humanos, agentes de proteção ao meio ambiente e lideranças sociais e políticas solidárias com os pobres deste país, ressoa em nós para que seja ouvido por todas as pessoas desta terra!

Viemos a público para manifestar nossa solidariedade a familiares e amigos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, brutalmente assassinados na Amazônia. Todas as entidades aqui representadas prestam suas condolências pela perda inestimável desses cidadãos e se solidarizam com o sofrimento e a luta dos que caíram na esperança de dias melhores para o povo.

Denunciamos a falta de transparência e o descaso por parte das autoridades competentes na condução das investigações sobre o ocorrido que, no entender de especialistas, é também resultado do desmantelamento intencional e sistemático dos órgãos de defesa e proteção dos povos e da floresta, como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Denunciamos que estes órgãos têm praticado ações de abandono daqueles a quem deveriam proteger e de favorecimento de práticas ilegais no garimpo, na pesca, na mineração e do tráfico de madeira, ameaçando de morte e atacando de forma crescente as comunidades nativas e suas lideranças, com o perigo de extermínio de várias delas.

Repudiamos as falas de autoridades que culpabilizaram as vítimas pelo crime contra elas cometido, quando estas pessoas prestavam, de forma corajosa, um brilhante serviço à defesa dos povos originários, à verdade e à preservação da Amazônia que beneficia a todo o povo brasileiro.

Conclamamos a união de todos e todas para que este fato não seja mais um tomado como normalidade. Aqui estamos para exigir justiça, para que as investigações sejam levadas a cabo de forma imparcial até sua conclusão e para que a memória de Dom e Bruno, assim como a de Chico Mendes, Irmã Dorothy, Josimo, Oziel, Maxiel, Ari Uru Eu Wau Wau, Paulo Guajajara, Zezico Guajajara, Sarapó e uma multidão de inocentes… seja semente de um mundo novo!

*Assinam este manifesto: Comissão Pastoral da Terra (CPT), Comunidade Indígena Tereguá, Conselho Nacional dos Leigos e Leigas do Brasil (CNLB) Diocese de Bauru, Mandato da Vereadora Estela Almagro (PT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento Popular Socialista (MPS), Organização Anarquista Socialismo Libertário (OASL), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Socialista Brasileiro (PSB), Pastoral da Ecologia Integral (PEI), Serviço Franciscano de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC), Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP (APEOESP) Subsede Bauru.

As colunas são um espaço de opinião. Posições e argumentos expressos neste espaço não necessariamente refletem o ponto de vista do Jornal Dois.
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