Editorial: Dia Nacional da Liberdade de Imprensa

Instituída em 7 de junho de 1977,  a data ainda hoje provoca reflexões sobre o que é a liberdade de imprensa e a quem ela representa 

Publicado em 7 de junho de 2021

(Arte: Bibiana Garrido/Jornal Dois)
Da redação

Instituída em 7 de junho de 1977, quando três mil jornalistas pediam “imprensa livre” no Brasil da ditadura, a data ainda hoje provoca reflexões sobre o que é a liberdade de imprensa e a quem ela representa dentro dos moldes liberais do jornalismo empresarial tradicional. Você já deve ter parado para pensar: “Por que isso não saiu no jornal?”.

Um dos princípios da “liberdade de imprensa” atual é que os jornais, empresariais ou não, sejam livres para escolher do que falar.

Quando a mídia é também empresa, fatores como lucro, patrocínios, anúncios e alianças econômicas podem impactar no compromisso com o interesse público.

Exemplo recente foi a falta de cobertura jornalística dos atos de 29 de maio em todo o país. A liberdade de imprensa sem padrões mínimos de representatividade, pluralidade e diversidade, na prática, exclui bastante gente do jornal.

É assim com bairros pobres e periféricos, com movimentos populares e sociais, com pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, e com qualquer fato que coloque em debate as estruturas e mudanças sociais.

Como mídia independente sem fins lucrativos, o Jornal Dois busca atuar em outro caminho: o coletivo. Nos colocamos ao lado das pessoas para retratar o que faz diferença na vida delas. A partir de critérios constantemente aprimorados e discutidos, procuramos refletir as necessidades, anseios, aspirações e demandas do público que acompanha e que apoia o nosso jornalismo.

O Jornal Dois é uma mídia contra-hegemônica, se posiciona de forma contrária às políticas de exclusão do capitalismo. 

Nos pautamos pelos interesses das classes trabalhadoras e de setores populares, periféricos e marginalizados na sociedade bauruense. Todos os veículos de comunicação fazem o mesmo, ou seja, são hegemonizados por interesses particulares da classe a qual pertencem os donos de tais mídias.

Entendemos que não cabe ao jornalismo informativo fazer resistência a algo ou a alguém, papel que está relacionado a militantes de movimentos sociais e partidos políticos, por exemplo. No entanto, isso não significa uma adesão ingênua a concepções inválidas como neutralidade, isenção e imparcialidade. O Jornal Dois tem lado, portanto tem uma posição diante da complexidade e do contraditório da realidade.

As reportagens do Jornal Dois são construídas do ponto de vista da mídia radical e do jornalismo como produção de conhecimento. Essas ideias definem a radicalidade do jornalismo, de tratar as coisas pela raiz, e sua capacidade de moldar o mundo para a apreensão que cada um tem da realidade. Daí a necessidade de um jornalismo plural e representativo: é a história que estamos contando sobre nossos tempos.

A presença das mídias independentes se pauta muito mais por um grito em direção à pluralidade de vozes na imprensa, do que um apelo à criação de um cenário apartado, um nicho de interpretações e visões de mundo.

Para tudo, a liberdade quando é de uns poucos e exclui muitos outros, não é liberdade, é só mais um degrau na escada da desigualdade.

Desse grito por pluralidade derivam as posturas políticas que devemos tomar para a regulamentação dos meios de comunicação no Brasil, a quebra dos grandes monopólios de informação, e políticas públicas de incentivo às mídias contra-hegemônicas pelo país, a partir da constatação de que enriquecem o debate público.

Seguimos trazendo dados, informações e relatos com o objetivo de contribuir para o aprofundamento do debate público na cidade, para o incentivo ao pensamento crítico e para o fortalecimento de demandas concretas, históricas e urgentes.

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