“Defensor” da terceira idade

O resgate na confiança do povo foi um dos lemas de Ricardo Cabelo ao assumir o seu primeiro mandato como vereador

Publicado em 11 de novembro de 2020 

A mudança na política foi um dos lemas de Cabelo antes de entrar na legislatura (Ilustração: Laura Poli | Foto do vereador: Pedro Romualdo)
Por Egberto Santana

Ricardo Pelissaro Loquete, na disputa de 2016, foi o menos votado entre os vereadores que assumiram no último mandato. Eleito com apenas 1.512 votos, pelo Partido Popular Socialista (PPS), o vereador assumiu uma cadeira na Casa de Leis como o primeiro líder de oposição ao governo de Clodoaldo Gazzetta (PSDB). Em 2020, o vereador volta à campanha eleitoral, agora filiado ao Republicanos.

Mais conhecido como Ricardo Cabelo, o vereador de 42 anos interessou-se pela política quando foi assessor parlamentar do ex-vereador Gilberto dos Santos no período de 2009 a 2012. Ao ser eleito em 2016, a vontade manifestada de Cabelo era de “excluir os políticos corruptos e os que só defendem interesses da burguesia”.

No Mary Dota, bairro onde o vereador mora, o número de votos na sua candidatura foi o mais expressivo. No Geisel e Redentor também venceu na votação majoritária. No entanto, em entrevista ao Jornal da Cidade, Cabelo disse que não iria priorizar apenas esses locais e que iria atender toda a população. 

Nesse sentido, suas indicações encaminhadas ao Prefeito Municipal foram em áreas bem diversas, e entre 610 matérias requisitadas até a publicação desta reportagem, 59 foram para Núcleo Mary Dota, e 15 para o Geisel, solicitando operações de tapa buracos e limpeza de áreas. 

Foco nos idosos

Em seu primeiro uso da tribuna, Cabelo cobrou do prefeito Gazzetta o envio do projeto que garantiria a gratuidade do transporte público a pessoas com mais de 60 anos. O projeto estava no plano de governo do prefeito durante a campanha eleitoral de 2016. Em maio de 2017 o projeto foi enviado e aprovado, beneficiando idosos na faixa de 60 a 64 anos. Para conseguir a carteirinha de benefício, o cadastro deve ser feito na Secretaria do Bem-Estar Social (SEBES).

Essa não foi a primeira vez que o primeiro líder da oposição à gestão Gazzetta pautou a acessibilidade no transporte público. Cabelo é autor do projeto que classifica como preferencial todos os assentos dos ônibus, garantindo prioridade plena aos idosos com idade igual ou superior a 60 anos, mulheres grávidas, pessoas com crianças de colo e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Para o vereador, a medida reforça o “exercício de cidadania e o respeito ao próximo” no município.

Outro projeto de Cabelo tem como alvo os idosos: o PL 261/2018 obriga a Secretaria Municipal de Saúde a priorizar, com base na Lei do Idoso, o público acima de 65 anos nos atendimentos, agendamentos de exames e consultas, em detrimento de pessoas de outras idades. A medida vale também para procedimentos cirúrgicos gerais quando forem requisitados, exames e retornos.  A medida não é válida para procedimentos que sejam feitos pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Na justificativa do projeto, Cabelo cita a diferença entre idosos de 60 e 65 anos, mencionando a “capacidade de mobilidade, dificuldades em geral e a inferior resistência” das pessoas nessa idade. 

No dia da sanção, Cabelo destacou que o próprio pai, Adauto Loquete, morreu em janeiro de 2019, aos 79 anos, esperando na fila por exames da rede municipal de saúde. Mais tarde, no mesmo ano, Cabelo voltou a cobrar do poder público à respeito da abertura de novos leitos hospitalares nas unidades públicas de saúde do município.

O tema voltou para a pauta do vereador em meio a abertura tardia do Hospital das Clínicas da USP, em agosto de 2020. Em tribuna, o vereador questionou: “Tudo pronto, já com macas. Por que não abrem pelo menos 10 leitos lá?”.

No âmbito das audiências públicas, Cabelo convocou uma reunião com a sociedade civil para discutir a implementação do projeto que proíbe a realização de festas “open bar” no município de Bauru, de autoria do vereador Coronel Meira (PSL). Além de representantes do ramo de festas, Secretaria de Esportes e empresários, o encontro também contou com a presença da Polícia Militar e representantes de igrejas evangélicas.

Painel com todos os dados numéricos do mandato do vereador Ricardo Cabelo. Dados coletados até dia 16 de outubro de 2020. (Ilustração: Laura Poli e Natália Santos | Foto do vereadora: Câmara Municipal de Bauru)
De alvo a acusador

Não foi só contra o Executivo que Cabelo se mostrou crítico. Em maio de 2019, o vereador também bateu de frente com a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (EMDURB). O tema era as multas aplicadas na região da Getúlio Vargas no período noturno em virtude das placas de proibido estacionar. Ricardo disse em sessão da câmara que o presidente da EMDURB, Elizeu Eclair, era “bandido”. À época, Eclair afirmou que entraria com pedido de representação na Comissão de Ética por quebra de decoro parlamentar, ou seja, por ter quebrado as regras de conduta da Casa de Leis.  

Logo após o acontecimento, Cabelo encaminhou nota ao Jornal da Cidade explicando a intenção da palavra usada: “Empreguei a expressão ‘bandido’ no sentido coloquial. ‘Aquele homem é um bandido – pessoa má”, alegou o vereador.

Em 2018, o vereador foi citado em inquérito da Polícia Civil que investigava o bloqueio de caminhões-tanque em distribuidoras de combustíveis em Bauru. Áudios e imagens de posts do Facebook seriam supostas evidências do envolvimento de Cabelo como liderança do movimento. Em resposta à TV TEM, o vereador disse que se solidarizou com a mobilização, mas que não tinha sido notificado sobre o caso e que não era líder de ninguém e não tinha incitado a “desordem”. 

O parlamentar substituiu Edvaldo Minhano (Cidadania) na composição parlamentar da Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Cohab, que investigou as irregularidades da Companhia de Habitação Popular de Bauru. Na data do relatório final, em sessão, Ricardo Cabelo disse que o grupo não conseguiu apurar se o prefeito Gazzetta sabia dos saques feitos em dinheiro pelo ex-presidente da empresa, Edson Bastazini Júnior.

Cabelo também foi presidente da Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa durante 6 meses no primeiro ano de mandato.

Por sua atuação na Casa de Leis, Ricardo Cabelo recebeu R$ 280 mil, até setembro de 2020, de acordo com Portal de Transparência da Câmara, pelo seu cargo público.

O Jornal Dois tentou conversar com o vereador sobre a sua legislatura, mas a equipe de assessoria disse que, devido ao processo de recuperação pós cirurgia de embolia pulmonar, o contato seria difícil.  E-mails foram enviados, mas o contato não foi retornado até a publicação desta reportagem.

Pílulas do Poder é o Trabalho de Conclusão de Curso de Jornalismo de Egberto Santana e Natália Santos na Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da Unesp, com orientação da Profª. Drª. Suely Maciel e tem o apoio e a revisão da equipe do Jornal Dois.

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