Até quando?

O que mais Bolsonaro precisa fazer para ser responsabilizado pelos seus crimes? É preciso mobilização social organizada e massiva para frear essa política genocida e crual

Publicada em 1º de outubro de 2021

Próximo ato pelo Fora Bolsonaro em Bauru será no dia 2 de outubro às 10h, com ponto de encontro na Vila Cristiana, antigo assentamento Primavera (Foto e edição: Camila Araujo/Jornal Dois)
Por Amanda Ramalho* e Félix Esteves**

Não é novidade que o Brasil nasceu de um projeto político de morte. Desde a chegada dos colonizadores, sucessivos massacres entranharam sangue indígena e negro por nossas terras – e a história se repete. Dia 2 de outubro estaremos muito próximos de completar 3 anos de governo Bolsonaro. De lá até aqui, inúmeras tragédias anunciadas se concretizaram, marcando, de longe, o mandato mais desastroso para a classe trabalhadora visto desde a redemocratização. 

No entanto, não estamos falando apenas de um governo ruim, ultraliberal e de direita, como a maioria dos que sempre tivemos. Estamos falando de um governo que indiscriminadamente matou quase 600 mil brasileiros ao negar vacinas e lucrar com a venda de remédios sem eficácia. Um governo que, como revela a CPI da COVID, se ergueu contra o seu povo diante da maior crise sanitária vivida na história e que constantemente ameaça o vestígio de democracia que nos resta. 

Bolsonaro e Paulo Guedes disseminaram a miséria, devolvendo o Brasil ao mapa da fome e, juntos, conquistaram marca recorde de desemprego. A maioria das trabalhadoras e dos trabalhadores já não possuem mais condições para arcar com despesas mínimas como água e luz. Mas, enquanto isso, os bancos lucram mais de 22 bilhões de reais em apenas um trimestre e dinheiro público é destinado para que a familícia compre mansões e promova atos golpistas por todo o país. 

Além de uma política cruel e genocida contra o povo brasileiro, o governo Bolsonaro demonstrou que não é só a vida humana que não possui valor e prioridade em suas ações, mas todo o ecossistema brasileiro é também insignificante para o presidente. Jair Bolsonaro demonstrou que está intimamente ligado com os interesses dos latifundiários brasileiros, e para essa gente a floresta em pé não é lucrativa. 

O reflexo dessa relação do presidente com os representantes do agronegócio se faz presentes nos níveis  escabrosos de desmatamento e descaso com o meio ambiente nos últimos anos. Segundo uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de agosto de 2018 a julho de 2021, 24.772 km² da floresta amazônica foram desmatados, os piores níveis nos últimos 7 anos. 

Essa é outra conta que o governo Bolsonaro deixa para a população brasileira pagar, pois com o desmatamento e a consequente diminuição das chuvas em todo o Brasil,  temos o reflexo que vemos nos dias de hoje,  onde enfrentamos a pior crise hídrica dos últimos 91 anos.  Além de faltar água para o consumo nas casas, para a irrigação de pequenos produtores rurais, isso gera, também, um aumento nunca antes visto nas contas de energia elétrica por todo o país. Novamente frente a um problema de magnitude homérica o governo Bolsonaro se omite e ainda debocha da classe trabalhadora.

Em uma live divulgada em suas redes sociais, o presidente mostra sua genial solução para a crise hídrica, um  pedido aos brasileiros que “ajudem o país”, tomando banhos gelados. Novamente o governo Bolsonaro mostrou a quem ele serve, pois ao invés de propor soluções que reduzam o desmatamento e ajudem a totalidade do país, ele prefere que o povo sofra as consequências, enquanto os burgueses do agronegócio enchem os próprios bolsos de dinheiro.

A pergunta que nos fazemos é: até quando? O que mais Bolsonaro precisará fazer para que seja responsabilizado por todos os seus crimes?

No presente artigo citamos alguns dos poucos problemas que surgiram desde que Bolsonaro assumiu a presidência, nos atemos ao que mais salta aos olhos, pois a lista é gigante. Com o passar do tempo, Bolsonaro, além de gerar miséria, destruição e mortes por onde passou, conseguiu atingir níveis recordes de impopularidade de seu governo, onde aproximadamente 75% da população brasileira o avalia negativamente.

É fato que Bolsonaro é incompetente para o cargo que ocupa e que cometeu inúmeros crimes em seu mandato, entretanto enquanto não houver uma mobilização social organizada e massiva, ele não irá cair, seus crimes e desacatos com a população brasileira seguirão impunes. Por isso é necessário a presença de todos e todas nas ruas no próximo sábado, dia 2 de outubro. Em Bauru o ato pelo Fora Bolsonaro irá acontecer na Rua Leôncio Ferreira dos Santos, 8-15, às 10h, próximo ao Cemitério Cristo-Rei. Não se esqueçam de usar máscara PFF2, álcool em gel nas mãos e manter o distanciamento social. Até a vitória!

* Amanda Ramalho é estudante de Psicologia da Unesp de Bauru e militante do Coletivo Afronte. 
** Félix Esteves é estudante de Psicologia da Unesp de Bauru e militante do Coletivo Afronte. 
As colunas são um espaço de opinião. Posições e argumentos expressos neste espaço não necessariamente refletem o ponto de vista do Jornal Dois.
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