3 anos de J2: veja 10 reportagens que não saíram em nenhum outro lugar

O Jornal Dois está na ativa em Bauru desde 2017, de lá para cá, contamos histórias exclusivas sobre política, cultura e direitos humanos, de maneira independente e sem fins lucrativos

Publicado em 26 de novembro de 2020

Três anos de J2 em Bauru (Arte: Bibiana Garrido/Jornal Dois)
Por Bibiana Garrido

Neste mês de novembro o Jornal Dois completa 3 anos de atuação em Bauru. Foram meses de reuniões e planejamento até que publicássemos a primeira reportagem no site. De lá para cá, a lista de conteúdo se tornou extensa. São matérias em texto, foto e vídeo que retratam a vida bauruense com um olhar humano, rigor jornalístico e comprometimento com a população.

Como uma mídia independente, o J2 não é patrocinado por empresas, nem tem vínculos com partidos políticos. Quem financia nosso trabalho são as pessoas que acreditam na importância de uma comunicação sem amarras para transformar a sociedade. Uma mídia radical, que trata dos temas da cidade pela raiz, existe e resiste no interior de São Paulo. 

Abaixo, confira algumas das reportagens exclusivas que foram construídas a partir desse trabalho, sendo publicadas e divulgadas de maneira gratuita desde 2017. 

  1. Quem matou Christian? Detalhes que a mídia não contou

Funcionário concursado e morador da periferia de Bauru, Christian Luis Bastos de Assis foi encontrado morto debaixo de um viaduto na Rodovia Marechal Rondon, próximo ao local onde morava.

“No dia que eu fui pegar a documentação dele na Delegacia da Azarias Leite, eles começaram a fazer perguntas, só que até aí eu não sabia que ia sair no jornal. Não falaram nada, né?”, conta Alessandro, irmão da vítima, sobre a repercussão na mídia tradicional da cidade. “Falaram que eu falei que ele era usuário de droga, colocaram coisas que eu não autorizei e ficou pior. Colocaram como assassinato até, nesse dia”.

Pai de dois filhos, um adolescente, outro já na faculdade, Christian morava no Colina Verde, junto da esposa Glauciene da Silva Pessôa. Era funcionário concursado dos Correios há 18 anos.

Traumatismo crânio encefálico é o termo que consta na certidão de óbito como a causa da morte. A única lesão aparente, segundo conta a família, é uma espécie de afundamento na testa, “da espessura de um dedo, mais ou menos”.

O corpo, meio escondido entre folhas e terra, foi encontrado na canaleta de alça de acesso da rodovia por policiais militares, acionados via COPOM, a Central de Operações da Polícia Militar.

Leia em: http://jornaldois.com.br/quem-matou-christian-detalhes-que-a-midia-nao-contou/ 

2. Especulação Sem Limites: um retrato do mercado imobiliário em Bauru


Qual é a relação entre especulação imobiliária, ocupação urbana, habitação, e como o Poder Público tem lidado com isso? 

“Os maiores recursos foram destinados para as construções de Praças e Avenidas na Zona Sul. A Praça das Cerejeiras, Praça Portugal, Praça da Paz, Vitória Régia dentre outros, receberam investimentos públicos e privados e acabaram se tornando os espaços de convivência social com a melhor infraestrutura da cidade. As Avenidas Nações Unidas e Getúlio Vargas também se tornaram as vias com melhor asfalto. Isso tudo faz com que essas regiões valorizem”.

Quem avalia o crescimento e ocupação do espaço na cidade é o José Xaides, professor e arquiteto. É o chamado processo especulativo é que rege o mercado imobiliário.

A ocupação de regiões fora do centro se deu de forma mais desenfreada. Na década de 1970, muitos loteadores ocupavam bairros distantes da área central e não tinham compromisso em fazer a infraestrutura necessária nestes locais. Nesse sentido, a questão do zoneamento urbano não está restrita à relação entre poder público e construtoras: as empresas de transporte coletivo também têm interesse no crescimento esparso de Bauru.

Leia em: http://jornaldois.com.br/especulacao-sem-limites-um-retrato-do-mercado-imobiliario-em-bauru/

3. O fim do Nova Canaã


“Sentei no chão e comecei a chorar”. O assentamento Nova Canaã foi desocupado e colocado abaixo em junho de 2019. A reação do morador Bruno Barbosa se dá após três anos de luta das famílias assentadas, de reintegração de posse em reintegração de posse, que haviam, enfim, conquistado a terra por meio de um acordo com a
Prefeitura de Bauru e o Ministério Público.

O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) previa que as famílias poderiam ficar na área do Nova Canaã por 3 anos. O terreno pertence a João Parreira de Miranda – dono da João Parreira Negócios Imobiliários. Para cumprir o TAC a prefeitura se propôs a fazer um “aluguel social” do terreno, abatendo o valor das dívidas de impostos que o proprietário tinha naquele lote.

João Parreira de Miranda questionou o acordo e conseguiu a terra de volta com a expulsão das famílias. Para tentar cumprir o que tinha sido prometido, o prefeito Clodoaldo Gazzetta providenciou uma nova área para as 195 famílias que se enquadraram nos critérios municipais de vulnerabilidade social. O local é hoje o assentamento Primavera, atrás do Cemitério Cristo Rei.

Na “mudança”, moradores encontraram a nova área cheia de pedras, pedaços de tijolo e concreto. E começaram a reconstruir seus barracos.

4. A morte do bebê Leonardo sob acolhimento familiar. E a história por trás do caso


Com dois meses de vida Leonardo Theodoro Rodrigues de Oliveira foi retirado da família biológica pelo Conselho Tutelar e encaminhado às famílias acolhedoras da Fundação Toledo. 17 dias depois, deu entrada no Hospital Estadual com um afundamento na cabeça e faleceu.

“Quando chegamos no andar [do hospital], reuniram eu e minha esposa numa salinha e deram a notícia de óbito da criança”, conta Adriano de Oliveira, pai de Leonardo. “Como assim? A criança saiu de casa pra ser tratada, porque vocês acreditaram que ia ser melhor pra ela. E vocês me entregam dessa forma?” questiona ele. A mãe, Delma Rodrigues, compartilha as palavras que ouviu naquele momento: “O médico perguntou se eu tinha derrubado ele. Meu filho nem tava comigo”.

À esquerda, Delma, a mãe de Leonardo, bebê que aparece em uma foto no computador. Por trás da tela está Adriely, tia da criança, que também teve dois filhos levados pelo Conselho Tutelar (Foto: Lucas Mendes/Jornal Dois)

Foram ao todo quatro crianças levadas da mesma casa: Leonardo, Vitor, Adrian e Emily. Os irmãos Leonardo e Vitor são filhos de Adriano e Delma. Seus primos, Adrian e Emily, com cinco anos e oito meses, respectivamente, são filhos de Adriely de Oliveira, tia do bebê que faleceu. 

As crianças viviam junto dos três adultos, mais um tio e uma avó. O Conselho Tutelar avaliou que estavam em risco sob alegação de negligência. Isso porque todos, inclusive os responsáveis, foram diagnosticados com escabiose.

Pelo que dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é emergencial o acolhimento de crianças que estejam sob ameaça de violência física ou abuso sexual. E como exposto no parágrafo 2° do art. 101, o afastamento da criança ou adolescente é de competência exclusiva da autoridade judiciária. Se verificada a hipótese de maus-tratos, essa autoridade poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum.

Leia em: http://jornaldois.com.br/amortedeleonardo/


5. Mondelli, Multicobra, Assuã: 135 empresas de Bauru devem quase R$ 1 bi à Previdência


Empresas falidas ou em atividade dão calote e prejudicam o pagamento das aposentadorias de trabalhadores. Bauru tem 3.283 pessoas e empresas endividadas com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), órgão responsável pela Previdência Social no Brasil. Considerando as dívidas maiores que R$ 1 milhão, a lista chega a 135 nomes, a maioria de empresas.

Somados, os 135 débitos chegam ao valor de R$ 904 milhões. Parte dos calotes são de empresas que faliram, quebraram ou estão em liquidação judicial, o que dificulta o pagamento aos cofres públicos.

Mas existem registros de empresas devedoras que seguem em atividade na cidade, como as escolas do grupo Preve Ensino, a empresa de cobrança Multicobra e a construtora Assuã. 

Saiba mais em: http://jornaldois.com.br/135empresas/


6. Ronda Escolar: entenda o serviço que levou à morte jovem negro bauruense


No dia 22 de setembro, um domingo, o adolescente negro André Eduardo Alves Costa, o Dudu, foi morto após ter sido baleado por uma policial militar no bairro Santa Cândida, em Bauru. Foram dois tiros, na versão da PM, que o levaram a óbito a caminho do hospital – sem a chance de se despedir de seus pais e amigos.

Fotos mostram carro da ronda escolar de Bauru no dia 10 de setembro na cidade de Irapuru. O contrato para prestação do serviço foi publicado no Diário Oficial dia 31 de agosto (Foto: Jornal Dois)

À época, a imprensa da cidade entendeu o caso como sendo apenas mais um  no cotidiano do noticiário policial: um jovem rouba um carro com outros comparsas, foge em disparada pelas ruas de seu bairro e reage armado à abordagem policial. A vida seguiu e, pelo menos nos grandes jornais, ninguém mais falou no assunto.

Havia um fato diferente, no entanto, nos eventos que levaram à morte Dudu Alves, às vésperas de seu aniversário de 16 anos. Nas fotos veiculadas pela mídia, era possível ver que o suposto carro roubado, encontrado próximo a um matagal naquela noite, estava adesivado com logo da Prefeitura de Bauru.

Leia: http://jornaldois.com.br/ronda-escolar-entenda-o-servico-que-levou-a-morte-jovem-negro-bauruense/

E assista: https://www.youtube.com/watch?v=xaErrqMxZX8&t=91s&ab_channel=JornalDois


7. Fome: a pandemia que compete com Covid-19 na população de rua


Expostas ao coronavírus e sem muitas alternativas de prevenção disponíveis, pessoas em situação de rua sofrem também com os efeitos da crise econômica. 

“O povo não usa [álcool gel], viu. Estão mais preocupados com a fome”.  Cássia é usuária do Centro Pop, afirma ter medo de ficar doente, mas teme mais ainda a fome. “Eu tenho bastante medo, para nós ficou difícil, porque as doações que tinha na rua, a maioria cortou. Estamos quase passando fome mesmo, está muito difícil para comer”.

Mesmo com os riscos do coronavírus tão evidentes em todo o país, para pessoas em situação de rua essa é só mais uma das tantas questões que se deparam diariamente. 

“Eu não tenho o que fazer, estou antes de tudo procurando um lugar. Está muito difícil de dormir aqui, muito difícil. Porque tem um outro aqui que já quer me pegar, aqui é muito perigoso. Capaz de alguém jogar álcool na gente e meter fogo”, declara Denise.

Veja a matéria completa: http://jornaldois.com.br/coronavirus-nas-ruas/


8. Justiça manda despejar famílias de agricultores de assentamento do MST em Gália


Em meio à pandemia do coronavírus, uma decisão dava prazo de 120 dias para produtores rurais deixarem suas terras em Gália, cerca de 60 km de Bauru. Coordenado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o assentamento é alvo de uma batalha judicial envolvendo as famílias de produtores rurais e o ex-proprietário da terra, o empresário e industrial jauense Jorge Ivan Cassaro. 

Cassaro foi eleito prefeito de Jaú nas Eleições 2020. A terra do Luiz Beltrame já tinha sido homologada pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), mas o ex-proprietário conseguiu reverter na Justiça a desapropriação de fazenda.

Em sete anos de existência, as famílias do Assentamento Luiz Beltrame conseguiram trabalhar o solo para produzir alimentos e desenvolver o assentamento, deixando os abrigos de lona ou madeira e passando a investir na construção de casas de alvenaria.

Leia em: http://jornaldois.com.br/justica-manda-despejar-agricultores-coronavirus/

9. Cidade Cindida


A série “Cidade Cindida” apresenta histórias de Bauru em meio à pandemia da covid-19, revelando que a doença não é vivida por todos da mesma forma e que é preciso levar em conta a classe social e a raça das pessoas para entender os impactos do coronavírus. Existe uma cidade, mas são várias realidades dentro dela.

São três episódios com pessoas vivendo em ocupações e barracos de moradia irregular, bem como moradores de residenciais do Minha Casa Minha Vida.

A ideia de cidade cindida, que inspira o nome da série, é do psiquiatra e revolucionário Frantz Fanon, em seu livro “Os condenados da Terra”. Uma cidade sólida, limpa e bem iluminada existe ao mesmo tempo em que há uma cidade marginal, onde “se morre não importa onde, não importa do quê” e onde os homens vivem “uns sobre os outros”.


Assista: https://www.youtube.com/playlist?list=PLRkqHmnK3j27UA9ZqujuPwdQuqgtqt2Zx


10. República do Eucalipto: Bracell e o agronegócio nas terras do centro-oeste paulista


A disputa pela terra no centro-oeste de São Paulo vem ganhando novos contornos nos últimos dois anos. Desde que a empresa multinacional Bracell se instalou em Lençóis Paulista (a 43 km de Bauru), proprietários rurais da região estão tendo a oportunidade de transformar suas terras em plantações de eucalipto.

O incentivo ao cultivo da árvore vem da própria Bracell, que se oferece para arrendar propriedades rurais da região.

Por um lado existe uma pressão econômica para que até pequenos produtores rurais se adequem ao modelo de produção do agronegócio. Por outro, há também o uso do arrendamento como um meio encontrado por proprietários para dar “função social” às suas terras, fugindo da reforma agrária – instrumento legal que desapropria terras improdutivas. 

A situação traz impactos para a produção de alimentos, para o meio ambiente e para as famílias que vivem da agricultura. 

Leia: http://jornaldois.com.br/bracell-agronegocio-eucalipto-centro-oeste-paulista/ 

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